4° Leilão Show Farol Galeria de Arte – Curitiba/PR

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O LeilãoShow é uma dramatização do Mercado de Arte Contemporânea com alguns dos seus elementos mais conhecidos. Integraram esta edição do evento artistas e produtores culturais que orbitam nas proximidades da Farol Galeria de Arte e Ação, em Curitiba/PR.

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A noite de sábado (20/06/15) movimentou a Rua São Francisco e animou as instalações da Guairacá Cultural, em Curitiba. Música, gastronomia e performance fizeram parte do IV LeilãoShow de obras de arte contemporânea da Farol Galeria de Arte.

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Cada uma das 25 obras arrematadas foi apresentada ao público, de cerca de 80 pessoas, uma a uma sob performance da galerista, Margit Leisner, da curadora Keila Kern e do músico Léo Fressato, leiloeiro oficial do evento.

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O público do IV LeilãoShow foi recebido com um coquetel preparado por Naty Fogaça, esfihas da bikefood do Semy Akl, drinks do Le Voleur de Vélo e barraca de chope da Bicicletaria Cultural. A trilha sonora que embalou a noite ficou por conta do DJ Mazinho, do Rio de Janeiro, da cantora curitibana Raíssa Fayet e do músico Léo Fressato.

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Entre pinturas, esculturas e fotografias, foram leiloadas obras de autoria de Alex Cabral, Ana Bellenzier, Alex Hamburger, André Mendes, C.L.Salvaro, Carlos A.Mattos (aka Tantão), Daniela Vicentini, Deborah Bruel, Eduardo Freitas, Eliane Prolik, Fran Ferreira, Gilson Camargo, Jack Holmer, Juan Parada, Lailana Krinski, Ligia Borba, Lina Faria, Maria Baptista, Pierre Lapalu, Rimon Guimarães, Rubens Mano, Tony Camargo, Traplev e Samuel Dickow.

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1 – Rimon Guimarães
Dia de Chuva, 2015.

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2 – Maria Baptista
Supersuperfície, 2014
Fotografia digital – impressão em papel fotográfico, moldura antiga e vidro – 50 x 70 cm.

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3 – Juan Parada
Invólucro 06, 2014
Fibra de vidro e musgo esfagno – 46 x 30 x 25 cm.

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4 – Tony Camargo
Corvos, 2012
Nanquim e pastel sobre papel – 21 x 15 cm.

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5 – Eduardo Freitas
Dúbios (fragmentos), 2012/2013
Pregos oxidados e cerâmica marfim biscoitada 1200 °C.
A instalação “Dúbios” recebeu menção honrosa no 4º Salão Nacional de Cerâmica – Curitiba/PR, e foi contemplada com o Prêmio do 14º Salão Nacional de Arte de Jataí/ GO.

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6 – Alex Hamburger
Caderno do aluno de poesia Alex Hamburger, 2001/2002
Pigmento mineral sobre em papel algodão. 44 x 31 cm.

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7 – Rubens Mano
Transientes, 1997
Impressão jato-de-tinta em papel de algodão moldura de acrílico.

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8 – Alex Cabral
Sem titulo, 2012
Recorte de papel, a mão, em 22 de janeiro 2012.

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9 – Eliane Prolik
Sem título, 2014
Escultura-múltiplo em ferro galvanizado, 27 x 73 x 10 cm. (edição de 50).
Este trabalho já esteve instalado no MUMA e no MON, em Curitiba.

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10 – Ana Bellenzier
Glory box, 2015
Caixa de papel duplex, couro, veludo, pelúcia + DVD contendo videoarte elaborada com trechos de filmes pornográficos das décadas de 1910 a 1940, com trilha sonora de Ergo Phizmiz e trechos do conto “A navalha de Van Gogh” de Dalton Trevisan. Duração: 7’ 41”.  Todas as imagens e áudios utilizados na obra são de domínio público.

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11 – Lailana Krinski
Sem título, 2015
Desenho – 87 x 64 cm.

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12 – Lina Faria
Baixo retrato social, 2014
Fotografia – cópia em jato de tinta sobre papel algodão – 30 x 45 cm.

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13 – Carlos Antonio Mattos (aka Tantao)
Sem titulo, 2010
Tinta acrílica sobre acetato – 43 x 32 cm.

IV Leilão Show Farol Galeria de Arte - Curitiba/PR - junho 2014

14 – Ligia Borba
O Que Se Vê, 2014
Biptico. Escultura cerâmica de alta temperatura em argila negra, esmalte e vidro fundido -62 x 22 x 7,5 cm.

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15 – Andre Mendes
Auto-retrato, 2010
Xilogravura em papel Montval Torchon Canson

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16 – Samuel Dickow
Fundo falso, 2015
Acrílica e lápis de cor aquarelavel sobre papel A3 – 44 x 31 cm.

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17 – C. L. Salvaro.
Trabalho por comida, 2003/2004
Tecido, tinta acrilica e cabide. Uniforme usado em aberturas de exposição em Curitiba nos anos de 2003 e 2004.

18 – Deborah Bruel
Sem título (#azulejos) – da exposição Anamnese, 2012
Conjunto de 4 fotografias impressas em papel adesivo sobre foam, cópias únicas. 21,8 x 21,8 cm.
Estas imagens fizeram parte da exposição Anamnese em 2012, na Casa Selvática, durante a Corrente Cultural daquele ano.

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19 – Jack Holmer
“Documentários em 30k – A menina de Xanxerê”, 2014
Pigmento mineral sobre Papel Hahnemuhle. A Obra é composta por um Mundo Virtual de Minecraft jogável e uma impressão do mapa deste mundo.

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20 – Claudio Celestino Dimas
Psiconautigraffia #3, 2015
Tinta spray sobre tela – 120 x 70 cm.

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21 – Pierre Lapalu
Da série “O Etnógrafo Naïf”, 2002.12.18_(17.00)
Desenho, nanquim e café sobre papel – 66,1 x 47,7 cm.

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22 – Gilson Camargo
A ciclofaixa de lazer e a bicicletada, 2011
Fotografia, 60 x 90 cm.
Link para publicação de referência – http://www.gilsoncamargo.com.br/blog/ciclofaixa-de-lazer-x-bicicletada-a-desobediencia-civil/

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23 – Daniela Vicentini
Estudo de água II e III, 2014
Aquarela sobre papel, 18×26 cm.

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24 – Fran Ferreira e Marcos Frankowicz
Falsos Futuros, 2015
Caixa, mapa, passagem de ônibus, cartões-postais e publicação.

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25 – Roberto Moreira (Traplev)
Projeto para dispersão – sem título 2*, 2013-2015
Papel A4 e prancheta

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26 – Rubens Mano
Intransponível, 2010 – placa metálica
Infranqueable, 2010 – placa metálica

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Ficha Técnica:

Performance: Leo Fressato, Keila Kern e Margit Leisner
Participação Especial: Raíssa Fayet
Produção: Vanessa Leiko, Don Joey Right Now

Love: Bicicletaria Cultural, Lide Multimídia e Guairacá Cultural
Fotografia e editoração desta publicação: Gilson Camargo

Farol Galeria de Arte e Ação
Rua Presidente Faria, 226 – Curitiba, Pr. Brasil
+55 41 8889 4179

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Transcrição da matéria produzida para o programa Toda Tarde, da TV Transamérica.

Entrevistador: Como é que a gente define o valor de uma obra?

Margit:  Essa é uma boa pergunta. Nós optamos por realizar o LeilãoShow justamente como uma forma de resposta a essa pergunta. Trazendo o público, reunindo os artistas e a produção local de arte contemporânea e propondo um lance inicial de trinta reais (R$ 30).

Entrevistador: Trinta reais…

Margit: Que é quase constrangedor, né? (risos)… então, a gente joga essa pergunta para o público.

Entrevistador: O público.

Margit: Somam-se todos os desejos e potências e, no caso do LeilãoShow, o valor vai ser determinado por esse conjunto.

Entrevistador: No último leilão que vocês fizeram, que obras vocês puderam contemplar?

Margit: Durante o LeilãoShow são exibidas cerca de 25 obras de arte.

Entrevistador: Na sua maioria quadros?

Keila: Não. Foram 3 leilões, cada um com 25 obras e em todos tivemos várias linguagens. Fotografias, pinturas, desenhos, video, performances, áudios… nós lidamos com arte contemporânea e com a produção viva e pulsante da cidade. Então, nós colecionamos essas pessoas que estão à fim desse desafio, as pessoas que estão a fim de encarar o desafio nesse embate na distribuição das obras; que são tanto os artistas – que são os maiores aventureiros nesse leilão – quanto o público.

Entrevistador: O público comparece? A maioria são artistas aqui mesmo da cidade?

Keila: A grande maioria são pessoas com quem convivemos na galeria, são pessoas com quem convivemos nos debates, nas palestras, nas exposições, em outras galerias, na rua. São as pessoas que estão pulsando, produzindo muito próximos a nós.

Entrevistador: Você falou, Keila, que são artistas que buscam sempre enfatizar a cidade. A visão contemporânea, a visão urbana… você tem um tema, ou não?

Keila: Ah, eu disse isso?

Entrevistador: Sim.

Keila: Tá bem dito então (risos). Eles também falam de amor, falam de dor, de almoço, de jantar, mas… da cidade, nós estamos vivendo em Curitiba tanta tensão, está tão próprio para elaborarmos discursos e conversarmos, que é uma boa pedida. O LeilãoShow não é curado, não tem esse cerceamento. Na verdade a Margit faz o convite, nós fazemos, a Margit em especial faz o convite aos artistas – que aceitam ou não – e eles escolhem os trabalhos que eles colocam.

Margit: Isso é bem importante pra gente, que o artista faça a escolha da obra, então as obras que estão ali, elas tem um sentido para o artista de estarem ali. E eu acredito que isso torna o Leilão Show bastante especial.

Entrevistador: Que legal isso, hein!

Keila: E são obras que desafiam. Elas não apaziguam os ânimos, elas desafiam o âmbito, o ambiente e as pessoas que estão ali.

Entrevistador: Eu senti que o diferencial, que essa exposição, ela não fica estanque ali na pintura, né? Tem um leque, uma vertente muito grande de opções para o artista. Cada qual, a gente sabe que cada um tem uma forma de expor os seus sentimentos, né? Que na verdade arte é isso, ele tem que expor seus sentimentos, deixar impresso em alguma coisa. Não necessariamente em uma tela.

Keila: Exato. E quando ele imprime o seu trabalho em um áudio? Um mp3 que não tem nem materialidade? Você pode gravar tanto um CD quanto um pendrive, quanto…

Entrevistador: Então vou fazer uma pergunta, Keila, de repente se essa banda aqui, Curitibocas…

Keila: Pois é…

Entrevistador: Quisessem expressar o sentimento que eles tem por Curitiba, pela arte, através de um mp3, poderia?

Keila: E a gente leiloava então.

Entrevistador: Olha!

Keila: Eles iam lá como público e depois já se tornariam obra e a gente ia tentar vender isso. Por que não? A partir de trinta reais, né?

Margit: O LeilãoShow é uma plataforma, né, que reúne a produção contemporânea não somente no sentido da materialidade das obras mas também reunimos músicos – por exemplo nesse IV LeilãoShow vamos contar com a participação da Raíssa Fayet, que é muito querida, uma pessoas que a gente admira bastante – reunimos gastronomia, pois é um elemento bem importante pra gente na dramaturgia do leilão – pois é um LeilãoShow, não é um leilão tradicional. A gastronomia que é feita com muito cuidado, geralmente a gente chama a Naty Fogaça pra fazer a gastronomia. Enfim, são trabalhos autorais que não são necessariamente uma pintura.

Entrevistador: Como surgiu a idéia do LeilãoShow?

Margit: A idéia do LeilãoShow foi uma visão, uma inspiração, ela foi bastante intuitiva, eu não teria outra resposta. Mas, eu acho que bastante motivada pelo que a gente percebe que é o pulso da produção na cidade, em Curitiba. Nós somos pessoas do mundo, a gente viaja, a gente conhece bastante coisa e considera que Curitiba é uma cidade no mundo. É uma cidade como outra qualquer, no melhor sentido. Então reunir a demanda que essa produção nos apresenta é um grande prazer.

Entrevistador: E como que vocês avaliam essas obras? Para serem leiloadas, expostas, como que funciona esse processo?

Margit: Funciona a partir da própria obra. Por exemplo, vamos imaginar que um artista nos apresenta uma fotografia. Nós convidamos o artista, ele nos envia a obra de sua escolha, vamos ver se essa fotografia está emoldurada, se ela tem moldura ou não e como vamos apresentá-la, porque as obras são apresentadas uma a uma. O Léo Fressato é o nosso leiloeiro oficial, performer leiloeiro. E todas as obras vem com uma narrativa à respeito do histórico dessa obra. Então, basicamente é isso. Na verdade é muito simples, basicamente nós entendemos que é importante reunir as pessoas e dar voz à produção.

Entrevistador: Você falou à pouco que o LeilãoShow é uma grande plataforma e já está na quarta edição. Vocês tiveram a grata satisfação há quatro anos atrás de ter a pessoa que pela primeira vez teve a oportunidade de entrar nessa mostra e conseguiu mostrar pra que veio e teve uma ascenção e pode dizer: Olha, o meu trabalho já está no mercado. Como é que é Keila? Conta pra gente.

Keila: O LeilãoShow começou no ano passado, as três edições aconteceram no ano passado.

Entrevistador: Perfeito. Perfeito.

Keila: Mas o brilho foi dividido por todos os artistas e o próprio LeilãoShow.

Entrevistador: Nós temos aqui uma obra ilustrando o nosso bate-papo (imagem abaixo).

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Keila: Olha que legal!

Entrevistador: Vocês falem pra gente disso aí.

Margit: É uma obra do Pierre Lapalu. Essa obra não está participando desse leilão, ela faz parte do repertório desse artista.

Keila: É uma fotografia com uma intervenção. Ele constrói aí um traço, uma fantasia. É belíssimo.

Entrevistador: Fala bem do contexto urbano, né? Essa foto especificamente.

Keila: Completamente. E a gente reconhece muito bem a especificidade do lugar. Pierre Lapalu é formado em gravura pela Escola de Música e Belas Artes, um excelente artista dessa cidade.

Entrevistador: Temos mais algumas fotos? Roda pra gente lá Gaúcho, faz favor. Aqui é a galeria?

Margit: É. Aqui temos imagens dos bastidores do LeilãoShow. Se não me engano essa (imagem) foi da segunda edição. Nós nos reunimos com os artistas sempre antes de começar o leilão e é uma celebração. O LeilãoShow é uma celebração sempre muito especial para todos nós. Onde os artista podem também se ouvir, saber o que o outro está fazendo. Então nesse momento a gente está começando a chegar ali com os artistas, olhando os trabalhos.

Entrevistador: Bacana. Vamos agora para o lugar onde o LeilãoShow acontece que eu acho que é um lugar bastante inusitado. É lindo! Ele fica perto do bicicletário?

Margit: Da Bicicletaria Cultural. E a Praça de Bolso do Ciclista… que é o que está mostrando aí.

Entrevistador: Como é o nome dessa rua?

Margit: Rua São Francisco.

Entrevistador: Vocês agora devem conhecer os artistas, aqui agora é um point, vários barzinhos, é um point noturno, né? Lota. Era um point abandonado em Curitiba, não?

Margit: É um ponto que, durante alguns anos apesar de ser uma zona residencial né – tem muitas pessoas que ali residem há mais de 30 anos. Tem uma escola ali também. Mas fiicou um pouco afastada do trajeto das pessoas. Então já nos últimos anos essa rua foi sendo retomada pela presença das pessoas também muito em função da construção da praça de bolso do ciclista. Foi feita toda em mutirão, então acredito que essa atividade, o fato de as pessoas estarem ali não só tomando cerveja mas enfim, fazendo algo, construindo…

Entrevistador: A Farol fica aonde ali?

Margit: A Farol fica na Presidente Faria com a São Francisco. Então ela fica dentro da Bicicletaria Cultural.

Entrevistador: Ali no subsolo?

Margit: No subsolo da Bicicletaria Cultural.

Entrevistador: Aqui tem mais uma obra.

Margit: Lina Faria. É fotógrafa, uma presença importante na cidade. A Lina pode ser vista nas ruas da cidade sempre com sua máquina fotografando. Acredito que ela tem um acervo de um olhar sobre a cidade que não se restringe a esse momento de agora, já faz muitos anos.

Entrevistador: Bacana. Margit, você é formada em Artes Visuais, é isso?

Margit: Sim.

Entrevistador: Você estudou também danças clássicas. Viajou pela Europa… Ela tem estilo de bailarina, o rosto dela clássico (risos). Viajou por vários lugares, você já encontrou algo assim nessa proporção, como é que está o Brasil em termos de arte? Valorização desses pequenos espaços onde oportuniza o artista iniciante expor sua obra já em um leilão. Como é que é?

Margit: Bom, esse formato eu não o conhecia de nenhum outro lugar. O que sabemos é que, por afinidade, os artistas estão se colocando no sentido de iniciativas, empreendimentos, de contextualizar a produção, e que são motivados… enfim, os artistas estão tomando as rédeas e não mais esperando uma legitimação que venha de fora somente. Nós conhecemos todas as formas de legitimação, mas também vemos essa possibilidade de distribuição, de tomar a frente.

Keila: Fazer acontecer.

Margit: Com o nosso discurso, embasado – claro temos bagagem. Ninguém está brincando. A gente se preparou para isso e estamos aí.

Entrevistador: Claro, o fator financeiro é importante mas, tudo o que é exposto está à venda nesse leilão?

Margit: Sim, tudo.

Keila: Você repete o termo exposição, eu acho interessante.

Entrevistador: Porque tem uma exposição que é mais importante que o próprio leilão… (todos falam ao mesmo tempo)

Keila: Veja, é uma exposição tão inusitada que os quadros, as obras, os trabalhos, não estão na parede. Eles são segurados, estão firmes no palco pelo tempo que estão sendo observado por todos, na hora em que ele é descrito, na hora em que ele é vendido, com os lances que se sucedem. Começa lá com trinta e a coisa vai esquentando, então é muito mais tempo do que nós pousaríamos (o olhar), pararíamos em uma exposição tradicional.

Entrevistador: Por exemplo, entra ali uma peça em um leilão tradicional, 1, 2, 3 arrematou, acabou, né?

Keila: Mas em uma exposição também. Quanto tempo um espectador fica diante de uma obra. No LeilãoShow nós ficamos porque ela está viva….

Margit: Até a exaustão, até realmente a disputa se polarizar de forma que…

Keila: … e ela é a única peça que está sendo exposta naquele momento. Depois ela some e vem outra. São 25 obras… então tem essa associação temporal.

Entrevistador: E o público? É variado, que vai, que curte isso? É acessível ao público?

Margit: Nós estamos sedentos por cada vez mais variedade de pessoas que querem conhecer. O LeilãoShow também é uma forma de conhecer arte.

Entrevistador: Verdade. Então eu pergunto, pro público leigo, se bem que falar de arte é muito complicado, né? Mas, pro público leigo que tem interesse em conhecer um leilão e assistir uma exposição… ele fica às vezes um pouco, puxa mas será que… eu não vou entender nada… o que é que precisa… se bem que você já me respondeu nos bastidores que a beleza está nos olhos de quem vê, né? Como é que é isso?

Keila: Eu acho que basta estar vivo. O interesse por arte é universal. Todos, todos temos. Todos nos arrumamos para estar aqui hoje, estamos todos belíssimos. Então, tenho certeza que o interesse é de todos. Está lá e a compreensão vai vir deste interesse.

Margit: Exatamente. Isso inclusive é algo que a gente preza muito, acredito que não existe uma forma certa de ver o belo.

Keila: Está nos olhos de quem vê.

Margit: Temos um amigo que diz que a beleza tem várias formas. Trata-se talvez da pessoa ficar tranquila se não estiver entendendo de uma certa forma, pois talvez esteja entendendo de uma outra forma. E se aqui toca ou gera algum questionamento então ela vai ter um contexto para se familiarizar, para poder participar desse mundo.

Entrevistador: Você falou do desejo, né? Se de alguma forma aquela obra toca o espectador, então ali surge um desejo.

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Em 21 de julho de 2015 por Gilson Camargo

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