Cena 11 Cia. de Dança em “Pequenas Frestas de Ficção Sobre Realidade Insistente”

Cena 11 Cia Dança - pfdfsri - 2007 - sescpinheiros/sp

Acompanhamento e documentação dos ensaios gerais no Teatro do CIC, em Florianópolis, e da temporada de estréia no SESC Pinheiros, em São Paulo, produzida para o Grupo Cena 11.
Link para a publicação em sua localidade original: http://www.gilsoncamargo.com.br/blog/?p=100

Em “PFdFSRi”, oitavo espetáculo do grupo catarinense, patrocinado pela Petrobras, permanecem características marcantes dos trabalhos anteriores, como o embasamento teórico e a técnica diferenciada de dança. Música ao vivo, guitarra e voz. Nos detalhes, sutilezas que permitem que uma história seja contada. Há ursos de pelúcia, bichos empalhados e a cachorra Nina, da raça border collie, presente em SKINNERBOX, continua com o elenco em nova participação.

Cena 11 Cia Dança - pfdfsri - 2007 - sescpinheiros/sp

Uma coreografia de evidências e contos

Caracterizado por ser uma Companhia de dança na qual a confluência entre teoria e prática direciona os objetivos artísticos, o Grupo Cena 11 Cia. de Dança nos últimos quatro anos propôs que sua produção coreográfica fosse tratada como um processo em constante desenvolvimento, tendo como patamares de estabilidade as formulações artísticas que leva à público. Seguindo esta trajetória, “pequenas frestas de ficção sobre realidade insistente” (PFdFSRi), espetáculo criado por meio do prêmio Funarte PETROBRAS de Fomento à Dança, foi primeiramente apresentado no formato de work in progress em junho de 2006 no Festival In Transit em Berlim, participando também nos Laboratórios de troca de informação que compunham a programação do evento. Em novembro de 2006 teve sua pré-estréia em Florianópolis, levando ao palco sua primeira proposta de organização como espetáculo.
Em 2007, o Grupo Cena 11 Cia. de Dança propõe a estréia e circulação de “pequenas frestas de ficção sobre realidade insistente” como conclusão para os objetivos propostos inicialmente:
1. desenvolver o design do movimento via execução de padrões de ação modificados por roteiros coreográficos, caracterizando estabilidade como resultado dependente do grau adaptativo de cada corpo.
2. Pesquisar evidências do trânsito entre natureza e cultura e utilizá-las na construção de perguntas sobre realidade e ficção.
3. Aprimorar a relação de dança e tecnologia investindo no desenvolvimento de sistemas de interação entre movimento e modificação do ambiente via interfaces Físico/Digitais.

Cena 11 Cia Dança - pfdfsri - 2007 - sescpinheiros/sp

Cena 11 Cia Dança - pfdfsri - 2007 - sescpinheiros/sp

Design:
O projeto do movimento em PFdFSRi procura soluções sendo um mapa, um tratado que situa e define as possibilidades de existência do movimento e suas estratégias de sobrevivência em um dado ambiente. O ambiente, “pequenas frestas de ficção sobre realidade insistente”, vai revelando suas fronteiras e condições ao mesmo tempo que o movimento propõe suas táticas de adaptação.
O movimento precisa reconhecer a natureza do estado do corpo e permitir que as interferências propostas pela coreografia produzam informações que reorganizem a continuidade do movimento proposto. Dessa forma, o que pretendemos como resultado final está mais vinculado à escuta do que sucede para construir sua verificação, do que a determinação do movimento em função da produção de uma imagem.

Cena 11 Cia Dança - pfdfsri - 2007 - sescpinheiros/sp

Dança e tecnologia:
Usamos a tecnologia como extensão do corpo. Isto inclui a maneira como pensamos nossa dança. Em PFdFSRi a utilização de sensores (câmeras, acelerômetro), robôs, programas de detecção de padrão, vídeo e sistemas de vjing; está vinculada as propriedades que estes elementos fornecem ao corpo e como este corpo responde a estes elementos por meio destas propriedades. Sistemas e programas foram desenvolvidos especialmente para atuarem no espetáculo, e contam com a participação também do espectador para concluírem seus objetivos no palco.

Cena 11 Cia Dança - pfdfsri - 2007 - sescpinheiros/sp

Natureza, cultura, realidade e ficção:
“pequenas frestas de ficção sobre realidade insistente” é uma fábula feita da colagem de ações, objetos, corpos, imagens e movimentos que se fortalecem das características que as definem para ganharem novos significados ao se inter-relacionarem. Um músculo cansado, respirações ofegantes, peso do corpo, força bruta, vestígios de dança, um espantalho, um brinquedo, um soldado de chumbo, cavalos, expectativas, caixinhas de música, memória, tempo dilatado, saudades, o velho, vingança, liberdade e realidade. Um conto.

Cena 11 Cia Dança - pfdfsri - 2007 - sescpinheiros/sp

O corpo procura parceiros para sua dança. A dança procura meios para perceber-se real. Ficção e realidade intercalam seus lugares e assim contam histórias. Peso e desequilíbrio como recurso de anti-vaidade, a autoria da ação divide assinaturas entre gravidade, ossos, músculos, cérebros e espectadores.
Dança como vestígio. Dança para não ter poder. Tempo para entendermos o tempo.

Cena 11 Cia Dança - pfdfsri - 2007 - sescpinheiros/sp

O GRUPO CENA 11 CIA. DE DANÇA desenvolve uma técnica particular e instaura projetos de pesquisa e formação, sempre com o propósito de confluir teoria e prática no entendimento de dança. Um núcleo de criação com formação em várias áreas compõe a base para uma produção artística em que a idéia precisa ganhar expansão num corpo e organizar-se como dança. As produções da companhia são: Respostas sobre Dor (1994); O Novo Cangaço (1996); In’Perfeito (1997); A Carne dos Vencidos no Verbo dos Anjos (1998); Violência (2000); Projeto SKR (2002); SKINNERBOX (2005) e “pequenas frestas de ficção sobre realidade insistente” (2007).

Cena 11 Cia Dança - pfdfsri - 2007 - sescpinheiros/sp

Texto:
Gabriel Collaço – gabriel@cena11.com.br
Alejandro Ahmed – ahmed@cena11.com.br

Fotos: Gilson Camargo

Em 17 de maio de 2013 por Gilson Camargo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *